And you can't smoke in any of this coffee places...I'm pretty sure coffee was invented by people who were smoking anyways. And they just wanted to invent something so they can stay up late and SMOKE FUCKIN' MORE! That's my theory. Just ask me or Columbo, he'll back me up on this one.» Denis Leary

Tuesday, May 13, 2008

na esplanada de um café

Creio que nessa altura eu voltava as costas ao mundo, a todo o mundo. Sem leitores, sem ideias concretas sobre o amor nem a morte, e para cúmulo escritor pedante que escondia a fragilidade de principiante, eu era um horror ambulante. Identificava a juventude com o desespero e este com a cor preta. Vestia-me de preto dos pés à cabeça. Comprei dois pares de óculos, dois pares idênticos de que não tinha necessidade nenhuma, comprei-os para parecer mais intelectual. E pus-me a fumar cachimbo, porque julgava (talvez influenciado por fotografias de Jean-Paul Sartre no Café de Flore) que era mais interessante do que dar fumaças em simples cigarros. Mas só fumava cachimbo em público, pois não podia gastar tanto dinheiro em tabaco aromatizado. Às vezes, na esplanada de um café qualquer, enquanto fingia ler um poeta maldito francês, armava-me em intelectual e punha o cachimbo no cinzeiro (às vezes o cachimbo nem sequer estava aceso) e tirava os óculos com que aparentemente lia e tirava os outros, que eram idênticos aos primeiros e com os quais também não conseguia ler nada


Enrique Vila-Matas


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Sunday, May 11, 2008

O ambiente de um verdadeiro café

Num café decente, mesmo o pior e mais ganancioso dos ricos se coíbe de insultar alguém e os pobres agradecem e comportam-se com a maior das modéstias. O ambiente de um verdadeiro café implica estas características: camaradagem, satisfação do estômago, boa disposição e melhor comportamento. Ninguém falou disto, nessa noite, na loja de Miss Amélia, mas todos o sabiam, embora, é claro, nunca, até àquele dia, tivesse existido um café na terra.


Carson McCullers


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Friday, May 09, 2008

a lebre no café

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a beber chá
Quando me sentei a esta mesa dispus o caderno onde escrevo, os óculos e a carteira, perfeitamente alinhados, ordenadamente ajustados ao espaço que o tampo da mesa coloca ao meu dispor. Corrigi a mão do empregado quando aportou o cinzeiro, o copo que enchi de água, o pacote de açúcar vermelho, tudo dispondo numa ordem nada menos que precisa, arranjo estético de formas que em nada feria o olhar.

Uma hora volvida, agora que olho a mesa, reparo que tudo ocupa lugar diferente do inicial. As mãos foram usando de gestos sobre a mesa, movendo-se imperceptíveis, a carteira mais distante depois de pagar a despesa, a chávena de café vazia afastada do caderno, o cinzeiro ainda mais perto do mínimo esforço dos dedos, a água junto à mão esquerda, o mesmo é dizer rente aos lábios, o livro fechado e marcado na leitura interrompida.

Uma hora preenchida, agora que olho a mesa, vejo-a desarrumada aos meus olhos mas arrumadíssima ao meu conforto.


João Luís Barreto Guimarães

Thursday, April 10, 2008

Sometimes you want to go








Where everybody knows your name,
and they're always glad you came.
You wanna be where you can see,
our troubles are all the same
You wanna be where everybody knows
Your name.

Wednesday, March 12, 2008

Nós vivemos na cidade quase sempre perdidos
nas nossas pequenas razões. Estas ruas
ainda prometem mais do que podem cumprir?
A breve epifania do amor ou simplesmente
um cúmplice que nos diga, à mesa de um café,
que não faz mal, que pouco importam
as perdas e danos que sofremos.

De qualquer modo o mundo continua.

Entre o medo e a esperança
procuramos a nossa incerta morada
e enquanto isso envelhecemos mais um dia,
colhidos pelo tempo em plena queda. Nas praças,
nos quintais, a noite aparece depois do jantar
cheia de boas promessas, mas já vem condenada
ao tropel dos crentes, ao cego movimentos da manhã.


Rui Pires Cabral


Wednesday, March 05, 2008

No café

No café cospe-se, pragueja-se, joga-se o bilhar, o xadrez, a traça , a sueca, o sete-e-meio, o trinta-e-um, as damas, bebe-se o café e o bagaço, outro bagaço (há neve lá em cima), discursa-se, grita-se, pode perder-se a vida (ler e ver Van Gogh), descobrem-se graves adolescentes e velhotes joviais, curiosidades da terra,
viajantes, poetas dos que caem no soneto e fazem cair no sono e poetas dos outros.


Alexandre O'Neill



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Thursday, February 28, 2008

Em cada fase da sua vida houvera um café, um lugar que era o complemento da casa, do quarto.

Ana Teresa Pereira

Wednesday, February 27, 2008

Cigarettes and Coffee Blues



Smokin' cigarettes and drinkin' coffee all night long

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