And you can't smoke in any of this coffee places...I'm pretty sure coffee was invented by people who were smoking anyways. And they just wanted to invent something so they can stay up late and SMOKE FUCKIN' MORE! That's my theory. Just ask me or Columbo, he'll back me up on this one.» Denis Leary
Friday, October 23, 2009
Sento-me no café
Sento-me no café com o meu caderno de apontamentos e as ideias a girar. Está imenso frio e com o piloto automático ligado, abano o pequeno pacote que retiro do pires e o açúcar salta para cima de mim e gira à minha volta. Um casal de pé ao balcão farta-se de rir da minha figura a sacudir o açúcar por todo o lado. Deve andar por aí um anjo que me fura os pacotes porque me quer ver elegante e bonita.
Maria João Lopes Fernandes
Maria João Lopes Fernandes
Monday, October 19, 2009
Uma vigília para Sam, BBC TV
Conheci Samuel Beckett em 1961 em Paris quando a minha peça,
O Encarregado, estava a ser montada. Entrou no hotel a andar
realmente muito depressa. Tinha uma passada viva e um aperto
de mão rápido. Foi extremamente amigável. Já conhecia a sua obra
há muitos anos, claro, mas isso nunca me levou a pensar que guiasse
tão depressa. Conduziu o seu pequeno Citroën de bar em bar durante
a noite toda, realmente muito depressa. Acabámos por ficar num sítio
em Les Halles a comer sopa de cebola às 4 da manhã e eu estava por
essa altura de rastos - devido, suponho, ao álcool, ao tabaco e à exci-
tação - com indigestão e azia, portanto pus a cabeça em cima da mesa.
Quando ergui os olhos tinha-se ido embora. Não fazia ideia de para
onde é que ele tinha ido e pensei: «Talvez tudo tenha sido um sonho.»
Acho que adormeci em cima da mesa e cerca de quarenta e cinco
minutos mais tarde a mesa estremeceu e lá estava ele e tinha um
pacote na mão, um saco. E disse: «Andei por Paris inteira à procura
disto. Finalmente encontrei.» E abriu o saco e deu-me uma lata de
bicarbonato de sódio, que realmente fez maravilhas.
Harold Pinter
O Encarregado, estava a ser montada. Entrou no hotel a andar
realmente muito depressa. Tinha uma passada viva e um aperto
de mão rápido. Foi extremamente amigável. Já conhecia a sua obra
há muitos anos, claro, mas isso nunca me levou a pensar que guiasse
tão depressa. Conduziu o seu pequeno Citroën de bar em bar durante
a noite toda, realmente muito depressa. Acabámos por ficar num sítio
em Les Halles a comer sopa de cebola às 4 da manhã e eu estava por
essa altura de rastos - devido, suponho, ao álcool, ao tabaco e à exci-
tação - com indigestão e azia, portanto pus a cabeça em cima da mesa.
Quando ergui os olhos tinha-se ido embora. Não fazia ideia de para
onde é que ele tinha ido e pensei: «Talvez tudo tenha sido um sonho.»
Acho que adormeci em cima da mesa e cerca de quarenta e cinco
minutos mais tarde a mesa estremeceu e lá estava ele e tinha um
pacote na mão, um saco. E disse: «Andei por Paris inteira à procura
disto. Finalmente encontrei.» E abriu o saco e deu-me uma lata de
bicarbonato de sódio, que realmente fez maravilhas.
Harold Pinter
Thursday, October 08, 2009
Comprava o jornal e, com um pequeno suspiro de alívio, sentava-se a lê-lo no café, em geral na mesa junto à vitrine, de onde podia ver quem passava na rua. Na altura de pagar trocava sempre com o empregado algumas impressões sobre as notícias. Pelo menos sobre futebol, desastres de viação, aumento da criminalidade, ou sobre as guerras que havia no mundo. Entendiam-se bem sobre o futebol, porque eram do mesmo clube, e quanto aos desastres, à criminalidade e às guerras, era consolador verificar que não tinham absolutamente nada a ver com eles. Partilhavam, portanto, opiniões e sentimentos, verificava com prazer. Batia-lhe no ombro, ao ir-se embora, e deixava de boa vontade uma gorjeta.
Teolinda Gersão
Teolinda Gersão
Thursday, September 24, 2009
Saturday, July 11, 2009
Wednesday, May 27, 2009
Thursday, May 14, 2009
Wednesday, May 13, 2009
Monday, May 11, 2009
cortinados
Wednesday, May 06, 2009
camaradas
Thursday, April 30, 2009
num café cheio de fumo
Monday, April 27, 2009
Friday, April 17, 2009
O princípio da manhã
O princípio da manhã é um inesperado gume de frio que
rasga a pele até à dor. Aguardo que abra o Café, de mãos
enterradas nos bolsos, os pés sapateando uma dança que só os
arrepios conhecem partitura.
Dentro já nasceu a luz. Contrasta, de tão quente. As
cadeiras estão voltadas cumprida que foi outra noite sobre o
tampo das mesas. Estou sozinho junto à entrada. A máquina
de café foi ligada, posso-o ver pelo botão de cor alaranjada que
pisca, intermitente. Hoje vou ser o primeiro. O vidro pinta o
nariz sempre que o encosto ao frio, mas a névoa embaciada que
se interpõe com o bafo obriga-me a recuar para poder espreitar
o salão.
Quem passasse agora aqui, diria que voltei a fumar.
João Luís Barreto Guimarães
rasga a pele até à dor. Aguardo que abra o Café, de mãos
enterradas nos bolsos, os pés sapateando uma dança que só os
arrepios conhecem partitura.
Dentro já nasceu a luz. Contrasta, de tão quente. As
cadeiras estão voltadas cumprida que foi outra noite sobre o
tampo das mesas. Estou sozinho junto à entrada. A máquina
de café foi ligada, posso-o ver pelo botão de cor alaranjada que
pisca, intermitente. Hoje vou ser o primeiro. O vidro pinta o
nariz sempre que o encosto ao frio, mas a névoa embaciada que
se interpõe com o bafo obriga-me a recuar para poder espreitar
o salão.
Quem passasse agora aqui, diria que voltei a fumar.
João Luís Barreto Guimarães
Tuesday, March 31, 2009
Monday, March 30, 2009
gelo
Naquele domingo à tarde, sentámo-nos no vasto café de valência, com a tal rapariga sueca. Tomámos vermouth por grandes copos com um pedacinho de gelo cinzento, do feitio de um favo de mel. O criado tinha tanto orgulho naquele gelo que lhe custou a deixar os copos sobre a mesa e a separar-se dele para sempre. Seguiu para o seu serviço - ouvia-se bater as palmas por toda a casa e assobiar para lhe chamarem a atenção- mas deitou uma última olhadela aos copos.
Dorothy Parker
Lamentos da vida
Dorothy Parker
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Sunday, March 01, 2009
tasca
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