Mais do que um café, o "Progreso" era um antónimo. Meia dúzia de mesas de pé-de-galo de mármore desbeiçado, cadeiras centenárias, um chão de madeira que rangia debaixo dos pés, cortinas poeirentas e meias luz. Fausto, o velho encarregado, dormitava junto da porta da cozinha, de onde vinha um agradável aroma de café a ferver na caçoila: um gato esquálido e remeloso deslizava matreiramente para debaixo das mesas, à espreita de hipotéticos ratos. No Inverno, o local cheirava contantemente a Humidade e grandes manchas amarelavam o papel de parede. Neste ambiente, os clientes quase sempre conservavam as roupas de abafo, o que pressupunha uma manifesta censura à decrépita braseira de ferro que costumava avermelhar-se debilmente a um canto.
Arturo Pérez-Reverte
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Maria João Sanches
3 comments:
Excelente artista, quero comprar
bjs
gigas
de que Progresso fala ele?
de um café em Madrid
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